Além da Cirurgia Cardiaca e do Stent Coronariano

O Guia para Vencer o Risco Residual e Proteger seu Coração ❤️

DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Dr. Luis A G Tamayo CRM SP 188085 RQE 90114

2/24/20263 min read

Olá! Se você ou alguém que você ama passou por uma angioplastia (stent) ou uma cirurgia de ponte de safena, este texto é, possivelmente, a informação mais importante que você lerá hoje.

Muitos pacientes acreditam que o tratamento termina quando saem do hospital com as artérias "desobstruídas". Como cardiologista, preciso lhe dizer: a revascularização é apenas o começo da jornada. Existe um conceito fundamental chamado Risco Cardiovascular Residual. Mas o que é isso e por que ele importa tanto?

O que é o Risco Residual? 🤔

Imagine que as artérias do coração são como estradas. A cirurgia ou o stent resolvem um "engarrafamento" crítico (a obstrução), mas eles não mudam a "condição do asfalto" ou o "clima" que causou o problema.

Mesmo após um procedimento bem-sucedido, o paciente ainda pode ter riscos por conta de:

  1. Risco Lipídico: Colesterol que continua alto, especialmente frações como a Lp(a) (lipoproteína a), que é genética.

  2. Risco Inflamatório: O corpo mantém uma "chama acesa" (inflamação) nas artérias que pode romper novas placas.

  3. Risco Metabólico: Diabetes e obesidade que continuam agredindo os vasos.

  4. Risco Trombótico: A tendência do sangue de formar coágulos sobre os stents ou pontes.

O Poder do Diagnóstico de Precisão 🔍

Hoje, não tratamos mais todos os pacientes da mesma forma. A Cardiologia de Precisão utiliza exames avançados para identificar exatamente qual é o seu tipo de risco residual.

Além dos exames comuns, ferramentas de imagem como a Angiotomografia Coronariana e a avaliação de biomarcadores (como a Proteína C-Reativa de alta sensibilidade) nos permitem ver a composição da placa de gordura. Isso é crucial para decidir se precisamos intensificar a medicação ou mudar a estratégia (Oshima et al., 2026). Sem esse olhar especializado, estamos apenas "chutando" o tratamento.

Novas Terapias: A Ciência a seu Favor 💊

O artigo científico mais recente de Oshima et al. (2026) destaca que temos um novo "arsenal" para proteger quem já operou o coração:

  • Combate à Inflamação: O uso de Colchicina em doses baixas tem mostrado reduzir drasticamente novos infartos ao "apagar a chama" da inflamação nas artérias.

  • Controle Lipídico Moderno: Se as estatinas não são suficientes, hoje temos os Inibidores da PCSK9 e o Inclisiran (medicamentos injetáveis) e o Ácido Bempedoico, que baixam o colesterol a níveis nunca antes vistos.

  • Proteção Metabólica: Medicamentos para diabetes, como os Inibidores da SGLT2 e os agonistas de GLP-1 (as famosas canetas para emagrecimento), provaram ser verdadeiros protetores do coração, mesmo para quem não é diabético (Oshima et al., 2026).

Populações Especiais: Atenção Redobrada! ⚠️

Se você tem histórico familiar forte de infarto, sofre de arritmias ou tem dislipidemia severa, seu risco é naturalmente maior. Nesses casos, o acompanhamento com um especialista não é opcional, é vital. Precisamos investigar a fundo fatores genéticos como a Lp(a), que não aparece no exame de colesterol comum, mas é um dos maiores vilões do risco residual.

A Mensagem Final (Resumo para Você) 📝

O Stent não é a cura: Ele trata o sintoma, mas a doença aterosclerótica continua lá.

Diagnóstico de Precisão: Exames modernos e acompanhamento especializado são a única forma de mapear seu risco real.

Tratamento Otimizado: Novas drogas (anti-inflamatórios e injetáveis para colesterol) estão mudando o jogo da sobrevivência.

Diálogo Aberto: Nunca saia de uma consulta com dúvidas. Pergunte ao seu cardiologista: "Qual é o meu risco residual e como estamos tratando a minha inflamação?"

A solução completa não é apenas um comprimido, mas um plano de vida guiado por ciência e precisão. 🌟

Referências Bibliográficas

Referência Principal: Oshima, A., Serruys, P. W., Garg, S., McEvoy, J. W., Wood, D. A., Doenst, T., Taggart, D. P., Puskas, J. D., Shajahan, A., Sharif, F., Miyashita, K., Tobe, A., Tsai, T.-Y., Revaiah, P. C., Dunne, F., Mehran, R., Budoff, M. J., Kastelein, J. J., Stroes, E. S. G., … Onuma, Y. (2026). Adjunctive pharmacological strategies for residual risk reduction after myocardial revascularisation. EuroIntervention, 22(2), 202-223. https://doi.org/10.4244/EIJ-D-25-00598

Diretrizes e Referências Complementares:

  • Byrne, R. A., Rossello, X., Coughlan, J. J., et al. (2023). 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. European Heart Journal, 44(38), 3720–3826. https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehad191

  • Visseren, F. L. J., Mach, F., Smulders, Y. M., et al. (2021). 2021 ESC Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice. European Heart Journal, 42(34), 3227–3337. https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehab484

  • Arnett, D. K., Blumenthal, R. S., Albert, M. A., et al. (2019). 2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation, 140(11), e596–e646.

  • Nidorf, S. M., Fiolet, A. T. L., Mosterd, A., et al. (2020). Colchicine in Patients with Chronic Coronary Disease. New England Journal of Medicine, 383(11), 1038–1046 (LoDoCo2 Trial).